Na última noite de reveillon, pouco antes da passagem para 2010, telespectadores assistiram estarrecidos a edição do "Jornal da Band". Depois que dois garis desejaram feliz ano novo, sem perceber que o áudio ainda estava ligado, o âncora Boris Casoy debochou dos dois trabalhadores, de uma categoria inteira de profissionais e de todos aqueles que têm bom senso.
Para quem não assistiu ao vivo, o trecho foi publicado no You Tube, e é possível escutar nitidamente o seguinte comentário do apresentador da Bandeirantes: "Que merda... dois lixeiros desejando felicidades... do alto da suas vassouras... (risos) dois lixeiros! (risos)... o mais baixo da escala do trabalho (risos)". É revoltante ouvir uma demonstração de tamanho desrespeito de quem, em tese, tem o dever de formar a opinião pública da população.
Boris Casoy expôs quem ele é realmente, e deixou claro que não é digno de um pingo de credibilidade para estar presente, todos os dias, no lar dos brasileiros. Especialmente, vindo de quem rosna indignado sobre a corrupção no país, e frequentemente dá lições de moral no ar. Muito embora, tenha participado e apoiado ativamente o golpe militar e a ditadura, que ceifou por muitos anos a democracia do Brasil.
O pedido posterior de desculpas, no dia seguinte, não reverteu a situação constrangedora criada pelo âncora, que é conhecido por sua recorrente frase "isto é uma vergonha". Aliás, as "profundas desculpas" pelo vazamento do áudio nem sequer soaram como verdadeiras, de quem humilhou, a gargalhadas irônicas, milhares de trabalhadores e trabalhadoras honestos que sustentam as suas respectivas famílias.
Se a Rede Bandeirantes de Televisão se julga tão responsável, e tem tanta credibilidade quanto afirma em seu site, o mínimo que deveria fazer é demitir Boris Casoy, e o próprio representante da emissora deveria pedir desculpas também. Do contrário, mantê-lo em seu quadro de funcionários, é reafirmar e compactuar com o que foi dito, mesmo sem querer. O que não coaduna com a história da emissora, que abriga profissionais e programação de qualidade, como é o caso do programa "CQC", apresentado na segunda-feira.
Por fim, gentalha como Boris Casoy deveria ser banida para sempre da televisão, e ser punido exemplarmente pela justiça por seu ato de preconceito social e desrespeito.
Maurício Veloso é advogado e pós-graduando em Direito Ambiental.
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