A inauguração da estação de tratamento de esgoto da Copasa em Montes claros, prevista para a próxima terça-feira, 9, com a presença do governador de Minas Aécio Neves, é aguardada com muita expectativa pela secretaria municipal de agropecuária e abastecimento. A obra pode representar a recuperação dos rios Vieiras e Verde Grande, a principal bacia hidrográfica da região e afluente do Rio São Francisco. Na manhã de quarta-feira, 3, técnicos e futuros engenheiros ambientais, estagiários da secretaria visitaram a obra.
(FÁBIO MARÇAL)

A estação é formada por um conjunto de prédios e máquinas que ocupa cerca de 20 mil metros quadrados de uma área de 26 hectares, adquirida pela Copasa, na região do Distrito Industrial. A ETE vai tratar o esgoto sanitário de Montes Claros, que até hoje é despejado no Vieiras e chega ao Verde Grande, poluindo e inviabilizando grande extensão do rio, um prejuízo para áreas de irrigação e população ribeirinha.
Segundo o engenheiro da Copasa, Vilson José Amorim, este problema começa a ser resolvido a partir do próximo dia 9, quando a estação entra definitivamente em funcionamento. Os últimos testes com as bombas foram feitos quinta-feira, 4, e o sistema funcionou como esperado.
- Mas os resultados positivos da ETE para os rios Vieiras e Verde Grande demorarão ainda cerca de quatro a cinco meses para serem sentidos. Este é o tempo necessário para que a nova realidade, ausência de emissão de esgoto sanitário, seja totalmente assimilada pela natureza - destacou.
A estação de tratamento tem capacidade para receber 500 litros de esgoto por segundo, fazer o tratamento e devolver aos rios água com pureza que pode chegar a até 98%.
- Para se ter uma idéia do que isso significa, este é o padrão exigido para as águas destinadas ao lazer das pessoas - explicou o engenheiro.
Além de livrar os rios das emissões de esgoto, a ETE produzirá gás e um composto orgânico que poderá ser utilizado como adubo pelos agricultores de Montes Claros.
A estação de tratamento de esgoto foi concebida para atender Montes Claros por um período de 25 anos. A partir daí, será necessária uma ampliação. A área para isso já está disponível e a estrutura atual da ETE, preparada para ser integrada à nova realidade.
- Os recursos que possibilitaram a estação estão na casa dos R$ 100 milhões - disse o engenheiro Vilson José de Amorim.
- Mas o que ela vai fazer pelo meio ambiente não tem preço - destacou Luiz Guilherme Câmara, técnico da secretaria municipal de agropecuária e abastecimento e presidente do Codema - Conselho municipal de defesa do meio ambiente.
O secretário de agropecuária, Roberto Mauro Amaral, informou que a nova realidade do Vieiras e do Verde Grande, proporcionada pela ETE, precisa ser reforçada por ações que ajudem a recuperar os rios em outra parte crítica: a revitalização das matas ciliares, bastante castigadas.
- Estamos estudando várias possibilidades de reforçar esse trabalho, inclusive com a criação de incentivos para os produtores. Neste sentido, entraremos em contato com outras prefeituras, para que possam somar nos esforços. Os rios são indispensáveis. O Verde Grande é de fundamental importância para a economia regional e fonte de abastecimento para milhares de pessoas - destacou.